Iguanas e dinossauros. América Latina como utopia do atraso Juan Villoro Eu tinha quatro anos quando entrei num impasse que decidiria a minha vida. No Colégio Alemão da Cidade de México fui submetido a uma prova, que não me lembro muito bem, mas que me direcionou para o Grupo A, quer dizer, para o grupo dos alemães. Durante nove anos, só fiz uma disciplina em espanhol: Língua Nacional. Nas aulas de matemática, eu tinha que resolver problemas do tipo: “A avó de Udo tem no porão da sua casa cinco potes de maçãs que cultivou na sua horta. Com elas quer fazer apfelstrudel. Se para cada folheado precisa de uma maçã e meia, e em cada pote há quinze maçãs, quantos folheados a avô de Udo pode fazer?”. Para além da impossível matemática, surgiam outras incógnitas: no México, as casas não têm porão e as avós não cultivam maçãs, nem preparam apfelstrudel. A escola conseguiu com que o conhecimento fosse uma insuperável amostra de dificuldade para mim. Como meu primeiro idioma lido e escrito fo...